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Dra. Letícia Terres

FAQ – Perguntas Frequentes

A mamografia dói?

É, provavelmente, a dúvida mais comum. A maioria das mulheres sente apenas um desconforto temporário durante a compressão das mamas, que dura poucos segundos.

A compressão da mamografia é realmente necessária? Para que serve?

A compressão é sim muito necessária. Ela serve para reduzir a espessura da mama e permitir que o Raio X da mamografia penetre melhor, além de imobilizar as mamas para que obtenha uma melhor qualidade da imagem, além de reduzir a dose de radiação necessária.

A radiação da mamografia faz mal à saúde?

A radiação da mamografia é mínima e totalmente segura e controlada. Os benefícios de um diagnóstico precoce suplantam os riscos.

Porque não posso utilizar desodorante ou creme para fazer mamografia?

Não se deve utilizar desodorante ou creme nas mamas por que alguns deles podem conter partículas metálicas, principalmente sais de alumínio, que aparecem na mamografia como pequenos pontos brancos (opacidades). Essas imagens podem ser confundidas com microcalcificações, um dos principais sinais radiológicos do câncer de mama. Isto pode simular calcificações e dificultar a interpretação das imagens ou fazer necessária a repetição de algumas incidências mamográficas.

Qual a diferença entre mamografia, ultrassom e ressonância?

Mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética são exames diferentes e complementares entre si. Cada um utiliza uma tecnologia diferente, possui indicações específicas e fornece informações distintas sobre as mamas. Por isso, um exame não substitui necessariamente o outro. A mamografia utiliza uma baixa dose de raios X para produzir imagens das mamas. É o principal exame para o rastreamento do câncer de mama e o único que demonstrou reduzir a mortalidade pela doença em mulheres assintomáticas. Sua maior vantagem é detectar alterações muito pequenas, especialmente microcalcificações, que podem representar os primeiros sinais de alguns tipos de câncer, mesmo antes de serem palpáveis.

A ultrassonografia utiliza ondas sonoras, sem emissão de radiação. É um excelente exame complementar à mamografia, sendo indicada principalmente para avaliação de nódulos palpáveis; diferenciação entre cistos e nódulos sólidos; investigação de alterações encontradas na mamografia; avaliação de mulheres com mamas densas, quando indicado; orientação de punções e biópsias. Embora seja extremamente útil, a ultrassonografia não substitui a mamografia no rastreamento do câncer de mama.

A ressonância magnética utiliza um campo magnético e ondas de radiofrequência, sem utilizar radiação ionizante. Para avaliação do parênquima mamário faz-se necessário o uso de contraste intravenoso para avaliar a vascularização das lesões. É o exame mais sensível para detectar o câncer de mama, mas também identifica muitas alterações benignas. Por isso, não é indicada como exame de rotina para todas as mulheres. Suas principais indicações incluem: mulheres com alto risco para câncer de mama; avaliação da extensão de um câncer já diagnosticado, em situações selecionadas; pesquisa de ruptura de próteses de silicone; investigação de achados inconclusivos em outros exames; acompanhamento da resposta à quimioterapia antes da cirurgia, quando indicado.

Com que idade devo começar a fazer mamografia? E até que idade devo fazer?

No Brasil, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam que mulheres com risco habitual iniciem o rastreamento anual com mamografia aos 40 anos.

Já o Ministério da Saúde recomenda mamografia a cada dois anos entre 50 e 69 anos para programas de rastreamento populacional. Essa diferença existe porque as sociedades médicas consideram que iniciar o rastreamento aos 40 anos aumenta a detecção precoce e pode reduzir a mortalidade por câncer de mama.

American Geriatrics Society (AGS) recomenda que o rastreamento mamográfico seja mantido em mulheres saudáveis, com boa expectativa de vida e capacidade de se beneficiar de um eventual tratamento, geralmente até os 85 anos de idade. Após essa idade, o benefício do rastreamento torna-se menos evidente, devendo a decisão ser individualizada, considerando o estado geral de saúde, a expectativa de vida, as comorbidades e as preferências da paciente.

Resumindo

  • 40 anos: início do rastreamento anual para mulheres com risco habitual, conforme as principais sociedades médicas brasileiras.
  • Antes dos 40 anos: apenas quando houver fatores de alto risco ou indicação médica específica.
  • Após os 75 anos: o exame continua sendo recomendado para mulheres em boas condições de saúde, com expectativa de vida superior a 7 anos, sem uma idade máxima predefinida.

Quem tem mama densa precisa fazer ultrassom?

Nem sempre. As mamas densas por si só não são uma doença e sim uma condição comum na população. Sabe-se que a maior densidade mamária é um fator de risco independente para o câncer de mama e que a mamografia tem a sua acuidade limitada nesta condição. A decisão de complementar o rastreamento mamográfico com ecografia deve ser individualizada, baseada no grau de densidade das mamas (BI-RADS C ou D); no risco individual para câncer de mama; na presença de sintomas ou alterações ao exame físico; nos achados da mamografia; na disponibilidade de outros métodos, como a tomossíntese ou a ressonância magnética, quando indicadas.

O que significa BI-RADS?

Ao receber o resultado de uma mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética das mamas, é comum encontrar no laudo a classificação BI-RADS. Embora muitas mulheres associem essa sigla imediatamente ao câncer de mama, ela representa, na verdade, um sistema internacional criado para padronizar a interpretação dos exames e orientar a conduta médica.
BI-RADS é a sigla para Breast Imaging Reporting and Data System, um sistema desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR) e utilizado por radiologistas em todo o mundo.
Seu objetivo é tornar os laudos mais claros e uniformes, facilitando a comunicação entre o médico radiologista e o médico assistente. Além de descrever os achados do exame, o BI-RADS informa o grau de suspeita de malignidade e indica a conduta mais apropriada para cada situação.

As categorias variam de 0 a 6, sendo que cada uma corresponde a uma probabilidade estimada de câncer de mama.

BI-RADS 0 – Avaliação incompleta
O exame identificou um achado que necessita de investigação adicional antes que uma conclusão possa ser emitida.
Podem ser necessários exames complementares, como incidências mamográficas adicionais, ultrassonografia, ressonância magnética ou comparação com exames anteriores.

BI-RADS 1 – Exame normal
Não foram identificadas alterações nas mamas.
A recomendação é manter o rastreamento conforme a idade, o risco individual e a orientação do médico.

BI-RADS 2 – Achados benignos
Foram identificadas alterações com características tipicamente benignas, como cistos simples, lipomas, linfonodos intramamários ou calcificações benignas.
Esses achados não aumentam o risco de câncer de mama, sendo recomendado apenas o acompanhamento de rotina.

BI-RADS 3 – Provavelmente benigno
A alteração apresenta características altamente sugestivas de benignidade, com probabilidade inferior a 2% de câncer de mama.
Nesses casos, normalmente recomenda-se um controle por imagem em curto intervalo, geralmente após seis meses, para confirmar sua estabilidade, evitando biópsias desnecessárias.

BI-RADS 4 – Achado suspeito
A lesão apresenta características que justificam a realização de uma biópsia para definição diagnóstica.
Essa categoria é dividida em três subgrupos:
BI-RADS 4A: baixa suspeita de malignidade (2% a 10%);
BI-RADS 4B: suspeita intermediária (10% a 50%);
BI-RADS 4C: alta suspeita (50% a 95%).
É importante lembrar que muitas lesões classificadas como BI-RADS 4 apresentam resultado benigno após a biópsia.

BI-RADS 5 – Altamente sugestivo de malignidade
Os achados apresentam características clássicas de câncer de mama, com probabilidade superior a 95% de malignidade.
Nessa situação, a biópsia é indicada para confirmação do diagnóstico e planejamento do tratamento.

BI-RADS 6 – Malignidade comprovada
Categoria utilizada quando já existe um diagnóstico de câncer confirmado por biópsia.
Os exames de imagem passam a ser utilizados para avaliação da extensão da doença, planejamento terapêutico ou acompanhamento da resposta ao tratamento.
BI-RADS não é um diagnóstico

Um resultado BI-RADS não significa, por si só, que a paciente tenha ou não câncer de mama.
Trata-se de uma classificação baseada nas características observadas nos exames de imagem, que estima a probabilidade de malignidade e orienta a conduta mais adequada para cada caso.
A interpretação do BI-RADS deve sempre ser feita em conjunto com a história clínica, o exame físico e, quando necessário, os resultados da biópsia.

Mais do que um número no laudo, o BI-RADS é uma ferramenta que contribui para um diagnóstico mais preciso, uma comunicação padronizada entre os médicos e uma assistência segura e baseada nas melhores evidências científicas.

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