CRM/RS 24511 | RQE 15588 | RQE 24620

Dra. Letícia Terres

Ecografia Mamária e Axilar

Exame indicado para avaliação diagnóstica de queixas palpáveis em mulheres jovens abaixo de 40 anos e como método complementar de rastreamento de câncer de mama em mulheres acima de 40 anos com mamas densas à mamografia.

Ecografia (Ultrassonografia) Mamária e Axilar: um exame complementar essencial para o diagnóstico das doenças da mama

A ultrassonografia das mamas e axilas é um método de imagem seguro, não invasivo e livre de radiação, que desempenha papel fundamental na investigação das doenças mamárias. Quando realizada por um médico com experiência em imagem da mama e utilizando equipamentos de alta resolução, oferece excelente capacidade para caracterizar lesões, complementar os achados da mamografia e orientar procedimentos minimamente invasivos.

Embora não substitua a mamografia no rastreamento do câncer de mama, a ultrassonografia é indispensável na avaliação de pacientes sintomáticas, mulheres com mamas densas, achados mamográficos inconclusivos e no acompanhamento de diversas alterações benignas e malignas.

Tecnologia aliada à experiência médica

A precisão da ultrassonografia depende diretamente da qualidade do equipamento e da experiência do médico examinador. São utilizados transdutores lineares de alta frequência, capazes de produzir imagens com elevado nível de detalhamento das estruturas mamárias. Recursos tecnológicos como o Doppler colorido, o Compound Imaging e a Elastografia complementam a avaliação, fornecendo informações sobre vascularização, arquitetura tecidual e rigidez das lesões, aumentando a confiança diagnóstica em situações selecionadas.

Como as lesões são avaliadas

Durante o exame, cada alteração é analisada de forma sistemática conforme os critérios do sistema BI-RADS®, desenvolvido pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR). Os nódulos e as lesões não nodulares são avaliados quanto às principais características:

  • formato e orientação da lesão;
  • contornos e margens;
  • ecogenicidade;
  • comportamento acústico posterior;
  • vascularização ao Doppler;
  • elasticidade do tecido, quando indicada.

Essa análise permite estimar o risco de malignidade e definir a conduta mais apropriada, seja apenas acompanhamento, investigação complementar ou biópsia.

Avaliação dos cistos mamários

A ultrassonografia é o melhor método para diferenciar cistos de nódulos sólidos. Os cistos simples apresentam características típicas de benignidade e geralmente não necessitam tratamento. Já os cistos complicados ou lesões com componentes sólidos podem exigir acompanhamento ou investigação adicional, conforme suas características de imagem.

Avaliação da axila

A análise dos linfonodos axilares faz parte integrante da ultrassonografia mamária.

São avaliados aspectos como formato, espessura cortical, preservação do hilo gorduroso e padrão de vascularização. Quando existem características suspeitas, a ultrassonografia permite realizar biópsias guiadas com elevada precisão, contribuindo para o diagnóstico e, quando necessário, para o estadiamento do câncer de mama.

Elastografia

A elastografia é uma técnica complementar que avalia a rigidez dos tecidos.

Como as lesões malignas costumam apresentar maior rigidez do que as benignas, esse método pode aumentar a confiança na caracterização de determinados achados, sempre em conjunto com os demais critérios ultrassonográficos e nunca de forma isolada.

Procedimentos guiados por ultrassonografia

Além do diagnóstico, a ultrassonografia é indispensável na realização de procedimentos intervencionistas minimamente invasivos, como:

  • biópsia por agulha grossa (Core Biopsy);
  • punção aspirativa por agulha fina (PAAF), em situações específicas;
  • drenagem de cistos sintomáticos;
  • marcação pré-operatória de lesões não palpáveis.

A visualização em tempo real proporciona elevada precisão, maior segurança e conforto para a paciente.

Uma avaliação individualizada

A ultrassonografia é um exame altamente dependente da experiência do médico examinador. Sua maior força está na possibilidade de correlacionar imediatamente os achados com a história clínica, o exame físico, a mamografia, a ressonância magnética e exames anteriores. Essa visão integrada permite uma interpretação mais precisa e personalizada, contribuindo para o diagnóstico precoce, a redução de procedimentos desnecessários e a definição da melhor conduta para cada paciente. Mais do que identificar alterações, a ultrassonografia é uma ferramenta essencial para compreender o comportamento das lesões mamárias e oferecer às pacientes um diagnóstico seguro, preciso e individualizado.

Tabela de Decisão Rápida (Exemplo Clínico)

Achado USClassificação Sugerida
Cisto simples / Lipoma/ Abscesso/ SeromaBIRADS 2
Nódulo oval e circunscrito (provavelmente benigno)BIRADS 3
Nódulo irregular com margens não circunscritas (achados suspeitos)BIRADS 4
Nódulos complexos (sólido-císticos), linfonodo com perda de hilo gorduroso e espessamento corticalBIRADS 4/5 (estadiar)

Consideração Final

A ultrassonografia (US) deve ser compreendida como ferramenta de diagnóstico complementar e de rastreamento, essencial na avaliação de pacientes sintomáticas e na caracterização de achados mamográficos. Para o médico, a US não é apenas uma imagem, é um exame funcional e morfológico dinâmico, dependente do observador. O segredo da excelência diagnóstica reside na correlação sistemática: nunca se pode encerrar um exame ecográfico sem correlacionar o achado com a mamografia (se disponível) e com a queixa clínica (palpação). Estes pilares do diagnóstico definem as condutas a serem seguidas.

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