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Dra. Letícia Terres

Clipagem Tumoral

Trata-se de um exame que consiste na inserção de clipe metálico no interior de lesões biopsiadas que possam ser totalmente excisadas ou lesões malignas que serão submetidas à quimioterapia neoadjuvante (antes do tratamento cirúrgico)

Clipagem Tumoral: O Elo entre Diagnóstico e Tratamento

1. Indicações Mandatórias: Quando não deixar de clipar?

A decisão de inserir um clipe deve ser tomada no momento da biópsia. As principais indicações são:

  • Quimioterapia Neoadjuvante: É a indicação mais crítica. O tumor pode sofrer regressão completa na imagem durante o tratamento. Sem o clipe, o cirurgião pode remover a área errada ou perder o sítio tumoral original, resultando em margens comprometidas ou cirurgias mais extensas que o necessário.
  • Lesões suspeitas removidas por Mamotomia (VAB): Se a lesão foi totalmente excisada, o clipe sinaliza onde ela estava, permitindo que a equipe de radioterapia ou a cirurgia identifique o leito exato para planejamento terapêutico.
  • Lesões BIRADS 4 ou 5 que serão acompanhadas: Em casos onde a biópsia é benigna, mas a imagem é discordante (e a cirurgia foi adiada), o clipe garante que, em exames futuros, o radiologista esteja avaliando exatamente o mesmo sítio anatômico.

2. Tipos de Marcadores e a Evolução da Visibilidade

Os marcadores evoluíram para otimizar a visualização em diferentes métodos:

  • Composição: Geralmente feitos de titânio, ligas metálicas (nitinol) ou polímeros. São desenhados para serem inertes e biocompatíveis.
  • Visibilidade: Existem marcadores com formas geométricas distintas (triângulos, esferas, helicoidais) para que o radiologista, ao olhar a mamografia ou o ultrassom, saiba distinguir o clipe de uma possível microcalcificação ou cicatriz.
  • Marcadores Ecorradiopacos: Atualmente, a preferência é por clipes que sejam visíveis tanto na mamografia (radiopacos) quanto no ultrassom (ecogênicos), facilitando a localização intraoperatória ou para marcação pré-cirúrgica.

3. O Passo a Passo Técnico para o Especialista

  1. Inserção: Deve ser realizada logo após a coleta do último fragmento da biópsia, aproveitando o trajeto criado pela agulha.
  2. Posicionamento: O clipe deve ser depositado dentro ou imediatamente adjacente ao centro da área onde o tecido foi removido (o “leito da biópsia”).
  3. Verificação Imediata: Após a inserção, deve-se realizar uma imagem de confirmação (mamografia ou US) para garantir que o clipe não migrou para longe do sítio original.
  4. Documentação: O laudo deve especificar a localização do clipe (ex: “clipe inserido no quadrante superior externo, 3 cm da papila, a 2 cm de profundidade”), o tipo de clipe e a sua visibilidade em diferentes métodos.

4. Pitfalls: Quando o clipe falha?

  • Migração: O clipe pode se mover, especialmente em tecidos muito adiposos ou devido a hematomas grandes.
  • Dificuldade de Visualização: Clipes de titânio muito pequenos podem ser “escondidos” por áreas de fibrose densa ou por outras calcificações.
  • Artefatos na RM: Embora o titânio seja compatível com a RM, clipes grandes ou em posições desfavoráveis podem gerar artefatos de susceptibilidade magnética que obscurecem a análise do realce residual.

5. O Impacto na Segurança do Paciente

A clipagem reduz drasticamente a taxa de reintervenção cirúrgica. Em pacientes que fizeram biópsia e foram submetidas à neoadjuvância, o clipe é a “âncora” para o cirurgião realizar a cirurgia conservadora segura. Sem ele, o cirurgião trabalha às cegas, o que eleva exponencialmente o risco de ressecções extensas desnecessárias ou margens positivas.

Tabela de Referência Rápida

MomentoObjetivo do Clipe
Pós-BiópsiaGarantir que o local foi identificado.
Pré-QuimioterapiaDemarcar o local do tumor para cirurgia pós-tratamento.
Pós-VAB (Excisão)Indicar o leito da lesão para planejamento de radioterapia.
DiscordânciaMarcar o local para reavaliação ou cirurgia.

Consideração Final

A clipagem tumoral (inserção de marcador radiopaco) é um procedimento técnico indispensável na prática radiológica contemporânea. Deixou de ser um “item opcional” para se tornar o padrão de segurança que conecta a radiologia intervencionista, a oncologia e a cirurgia. Para o médico especialista, a clipagem não é apenas um marcador; é a garantia de que o alvo está devidamente “ancorado” no tempo e no espaço.

A clipagem é o “ponto final” de um processo diagnóstico de qualidade. O erro técnico aqui não é o clipe em si, mas a falta de correlação entre a imagem de inserção e a imagem de verificação.

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