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Dra. Letícia Terres

Biópsia Percutânea

Trata-se de um exame utilizado para diagnóstico histológico de nódulos ou calcificações. Pode ser guiada por mamografia ou ecografia a depender dos achados de imagem.

Biópsia Percutânea Mamária: Precisão, Planejamento e Segurança

1. Seleção do Método Guia

A escolha do método é regida pela visibilidade do alvo.

  • Ultrassonografia (US), conhecida como ecografia: Método de escolha. Permite observação em tempo real, é rápida, sem radiação e confortável para a paciente. Deve ser sempre a primeira opção se a lesão for identificada por este método.
  • Estereotaxia (Mamografia): Utilizada quando a lesão é visível apenas por mamografia (ex: grupos de microcalcificações, distorções arquiteturais sem tradução ecográfica). Utiliza o princípio da triangulação para localizar o alvo com precisão milimétrica.
  • Ressonância Magnética (RM): Reservada para lesões “ocultas” (não vistas em eco ou mamografia), detectadas apenas por realce de contraste na RM. Exige maior tempo e custo, sendo menos disponível, apenas em centros especializados.

2. Tecnologias de Coleta: Core vs. Mamotomia (VAB)

  • Core Biopsy (Agulha Grossa): Geralmente utiliza agulhas de calibre 14G ou 16G. Indicada para nódulos sólidos. É eficiente, custo-efetiva e fornece fragmentos suficientes para imuno-histoquímica (RH, Ki-67, HER2).
  • Mamotomia (Vacuum-Assisted Biopsy – VAB): Utiliza calibres maiores (8G a 12G) com sistema de vácuo.
    • Vantagens: Remove maiores volumes teciduais, permitindo a exérese completa de lesões pequenas e uma amostragem superior para microcalcificações ou distorções arquiteturais. É o método de eleição na estereotaxia.

3. Gestão de Riscos e Complicações

O procedimento deve ser meticuloso para evitar subestimação diagnóstica e complicações:

  • Hematoma: Complicação mais frequente. O uso de compressão manual vigorosa pós-procedimento por 5–10 minutos e a aplicação de gelo local são fundamentais.
  • Sangramento Ativo: Atenção especial a pacientes usando anticoagulantes. A suspensão das medicações deve ser avaliada (risco/benefício) ou opção por agulhas menos calibrosas.
  • Infecção: Procedimento asséptico rigoroso. Embora rara, a incidência aumenta em pacientes imunocomprometidas.
  • Pneumotórax: Evento extremamente raro, restrito a biópsias profundas (muito próximas à parede torácica). A técnica de inclinar a agulha paralelamente à parede torácica minimiza este risco.

4. O “Checklist” da Excelência na Biópsia

  1. Planejamento de Acesso: Escolher a via de acesso que minimize a distância da lesão e evite estruturas nobres (vasos grandes).
  2. Anestesia Local: Realizar infiltração cuidadosa (lidocaína 2% sem vasoconstritor, se possível, para não interferir na análise) tanto no trajeto quanto na periferia da lesão.
  3. Amostragem (Sampling): Coletar, no mínimo, 3 a 5 fragmentos em core biopsy com agulhas de calibre 14G. Em microcalcificações, a amostragem deve ser maior e documentada através de radiografia dos fragmentos obtidos, para garantir a representatividade da amostra (calcificações nos fragmentos). Em biópsias com calibre 10G o ideal é de no mínimo 9 a 12 fragmentos.
  4. Marcação (Clipping): Obrigatória em casos de biópsias guiadas por estereotaxia (calcificações, distorções arquiteturais, nódulos sem tradução ecográfica), lesões muito pequenas (menores de 0,5 cm) ou em lesões candidatas à quimioterapia neoadjuvante. O clipe metálico marca o local exato para a futura exérese cirúrgica.

5. Correlação Imagem-Patologia (O Pilar do Especialista)

A discrepância é o maior erro evitável:

  • Discordância: Os resultados anatomopatológicos precisam passar pelo médico radiologista para avaliar a concordância entre os achados de imagem e patologia. Resultados discordantes (ou seja resultados benignos em lesões altamente suspeitas são inaceitáveis e podem requerer nova amostragem ou até mesmo exérese cirúrgica), com o intuito de evitar erros de amostragem (falso-negativo).

Consideração Final

A biópsia percutânea é o desfecho da atuação do radiologista, pois se traduz em diagnóstico anatomopatológico. O sucesso de uma biópsia não termina no envio do material para o patologista. Ele se encerra com a correlação histológica: o diagnóstico que recebi explica perfeitamente a imagem que vi? Se a resposta for “não” ou “talvez”, o caso exige investigação adicional.

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